30/10/2018 13:12

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Paulo César Desidério - Redação Pioneira

Foto: Fabíola Tormes - Diário da Serra

A judoca tangaraense Yasmin da Silva Souza, de 15 anos, recebeu no último dia 25 de novembro convocação feita pela Federação Mato-grossense de Judô para representar o estado de Mato Grosso na fase nacional dos Jogos Escolares da Juventude, competindo na categoria A. Ela e outros 30 atletas foram chamados e integrarão a delegação que embarcará para Natal-RN para a disputa dos jogos entre 20 e 26 de novembro.

Yasmin foi a única tangaraense chamada. A jovem é estudante da Escola Estadual Professor João Batista e aluna do Projeto Crianças Primeiro, desenvolvido pelo Lions Clube em Tangará da Serra. Vinda de família ativa desportivamente, a judoca conta que sempre recebeu incentivo dos pais para ingressar em alguma modalidade. Segundo ela, experimentou diferentes esportes até chegar no judô.

“Eles sempre quiseram que eu participasse de esportes também, só que eu nunca tive um contato bem perto e tudo mais, incentivo nunca faltou. Até um ponto em que a gente decidiu de fato ir atrás de esportes ver no que eu me sairia melhor. Tentei futsal, boxe, karatê, handebol, um monte de esportes. Até que um dia tive a oportunidade de ter esse contato com o judô e aquilo me chamou atenção. Eu era muito desanimada para os outros [esportes], mas na hora que eu bati o olho eu quis ver como era isso de perto”, afirmou, ao contar que seu primeiro quimono foi comprado por sua mãe com muito sacrifício.

Questionada sobre o significado do judô em sua vida, a adolescente demonstrou serenidade e personalidade semelhantes a de um atleta com anos de estrada. Yasmin destacou que há enorme transmissão de aprendizado com as artes marciais, sobretudo no judô. De acordo com ela, isso passa tanto pelos mais experientes, quanto por aqueles que ainda engatinham na modalidade.

“Para mim o judô é a segunda família, ele traz a paz que eu não consigo ter. Eu acho muito incrível que às vezes eu não me sinto muito bem para treino, mas a partir do momento em que eu coloco os pés no tatame já é outra coisa. Vem a paz, você distrai, tira a cabeça do mundo, você aprende a entender os erros dos outros, ver que ninguém é perfeito, aprende a querer ajudar, querer mostrar e aprender com eles, porque por mais que alguém não seja mais graduado que você, você automaticamente aprende da mesma forma. É a mesma coisa com as crianças que nunca viram ou nunca tiveram esse contato. A gente aprende muito com elas também da mesma forma, tanto não sendo graduadas quanto nem sabendo o que é o esporte”, contou.

A dedicação aos treinos e o empenho ao máximo são marcas registradas de Yasmin. O responsável pelos treinos, sensei Ronaldo Nascimento, teceu elogios sobre o comportamento da jovem e revelou sentir enorme felicidade pela convocação da judoca.

“É um momento de alegria, de festejar, de desfrutar de algo que a gente já vem desfrutando há algum tempo e agora é a hora de colher também o que a gente plantou. A Yasmin eu sou até suspeito a falar dela porque estou acompanhando ela desde o início, já tem 8 anos que ela está trabalhando comigo, nunca me deu trabalho e tem se empenhado, tem se destacado a nível estadual e ela conseguiu essa convocação. Nos treinamentos ela vai bem, não falta, consegue sempre se destacar no meio dos treinos independente do que passa”, descreveu o sensei, que contou ainda que Yasmin auxilia até nos treinos quando necessário, pelo grande número de crianças presentes.

Faltando menos de um mês para a disputa da competição, a judoca esfrega as mãos diante de tamanha ansiedade. Esta é a primeira vez que Yasmin disputa a fase nacional dos Jogos Escolares. Para ela, foco e concentração serão aliados para que o seu melhor seja deixado no tatame e todo o nervosismo seja controlado.

“Estou muito ansiosa, é a primeira vez e é manter sempre o foco. A partir do momento em que eu entrei no esporte pensava no treino, só ali. Não pensava em me graduar em faixa preta ou até mais. Com o tempo, com o incentivo, vendo as outras pessoas eu vi que o esporte não é apenas quedas e tudo mais e que é muito mais além disso, foi me motivando cada vez mais para que eu me dedicasse, para que eu interagisse, participasse, ajudasse também nos treinos e eu vejo que estou confiante. Penso em fazer a minha luta, vou fazer o meu melhor. Por mais que eu não tire uma boa colocação eu já fico feliz por ter todo o incentivo porque muitas pessoas falam que eu sou boa, mas eu não me olho assim. Se lá eu não deixar que o nervosismo tome conta de mim e eu fazer a minha luta, já está de bom tamanho”, concluiu.