03/10/2018 07:37

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Paulo César Desidério - Redação Pioneira

Foto: Divulgação

Realizado em Tangará da Serra e em todo o país desde o ano de 2015, o Setembro Amarelo, mês de conscientização e prevenção ao suicídio se consolida a cada ano como uma das principais campanhas promovidas em prol da saúde da população. Neste ano, a programação foi mais uma vez um sucesso, com algumas ações inéditas, como por exemplo a escutatória. Mobilizações nas redes sociais, semáforos da cidade, palestras em instituições de ensino e diversas outras ações foram encabeçadas pela equipe do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do município.

Thereza Érika, psicóloga que coordenou as ações da campanha no município, avaliou a edição 2018 do Setembro Amarelo em Tangará positivamente. Segundo ela, dada a quantidade de ações e a participação efetiva, o município se destaca como a principal cidade do interior do estado de Mato Grosso a trabalhar as mensagens da campanha.

“O que observamos ao realizar essas ações é que as pessoas carecem de informações sobre o tema e alguns fatores que podem estar relacionados a esse tipo de problema, sobre o qual precisamos conversar. É importante sempre destacar o não julgamento das pessoas que pensam em morrer, que estão em situação de sofrimento, pois o que elas vivenciam é uma dor muito profunda. Por onde a gente passa, as pessoas querem saber sobre o assunto, tem poucas informações sobre o tema, sobre saúde mental, sobre sofrimento psíquico, como lidar com situações críticas durante a vida, como fazer esses enfrentamentos”, afirmou.

Conforme Thereza, ainda faltam investimentos para o ramo da saúde mental. A abertura do poder público para mais profissionais que atuam no tratamento e prevenção de problemas como ansiedade, depressão e demais transtornos, seria de suma importância para que todos tivessem o psicológico mais forte e preparado para enfrentar determinadas situações.

“Precisamos ampliar a oferta de serviços na área de saúde mental para que as pessoas possam ser adequadamente e efetivamente acolhidas. Precisamos ter mais profissionais para atender esse tipo de demanda, então essa é uma reflexão bastante importante, um debate bastante importante da campanha. Precisamos ter em todas as frentes, unidades de saúde, unidades especializadas, hospitais públicos e privados que atendam esse tipo de situação não só o quantitativo de profissionais, mas que esses profissionais também estejam capacitados para lidar com uma demanda tão importante”, destaca.

Por fim, a profissional exaltou o fato de que com a campanha em andamento e o fortalecimento dos debates acerca da temática, cresce paralelamente a procura por serviços de saúde mental. Thereza mencionou o slogan da campanha, ‘Falar é a melhor solução’, que é exatamente o principal caminho para que as pessoas se informem e fiquem em alerta com relação ao suicídio.

“É preciso falar sobre esse problema, tanto em nível social, tanto em nível mais amplo, quanto a própria pessoa precisa entender que o sofrimento é algo legítimo da sua existência, que não a desqualifica, mas que principalmente pode haver cuidado, recuperação, transformação, superação. É esse tipo de mensagem que o Setembro Amarelo leva. Precisamos valorizar a vida, precisamos valorizar o ser humano e uma forma de evidenciar esse tipo de valorização é tendo espaço, serviços e políticas públicas que possam atender adequadamente as pessoas”, concluiu.