29/09/2018 07:01

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Rádio Pioneira com assessoria

Foto: reprodução.

Uma em cada quatro mulheres sofre com os sintomas da depressão pós-parto no Brasil, segundo dados divulgados recentemente pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Em pesquisa publicada pela Maternal and Child Health Journal, é evidenciado que, em nível mundial, apenas 20% do total de mulheres que sentem estes sintomas procuram auxílio médico.

O desânimo, a diminuição do interesse por atividades cotidianas ou pelo cuidado do filho e as alterações de sono, humor e energia são alguns dos principais indícios de depressão pós-parto. Em casos mais graves, a falta de ânimo pode acarretar pensamentos de rejeição e até suicidas.

Psiquiatra do Hospital Infantil e Maternidade Femina, Daniele L. B. Carvalho explica que muitas pessoas associam a depressão à falta de força de vontade e que o estigma da doença faz com que muitas mulheres não procurem ajuda especializada.

“É exatamente pelo fato de as mães se sentirem culpadas que elas não vão em busca de um auxílio médico. Elas acreditam que é errado se sentir triste no pós-parto – um momento que deveria ser feliz – e, por isso, não se abrem e têm medo dos julgamentos alheios”, explicou.

No entanto, assim como em qualquer fase da vida, a depressão é uma doença que tem a ver com as alterações biológicas do cérebro e não é traduzida pura e simplesmente pelo sentimento de insatisfação. A fase do pós-parto engloba muitas alterações hormonais, mudanças corporais e de rotina, que podem acarretar, fisiologicamente, um quadro de transtorno depressivo.

Segundo a médica, alguns dos sintomas da depressão podem ser transitórios e característicos do puerpério – período que pode se estender até a sexta semana depois do parto –, em que o corpo da mulher passa por diversas alterações hormonais. O quadro de blues puerperal, por exemplo, apesar de promover a manifestação dos sintomas depressivos de forma mais leve, não é caracterizado como depressão.

“O papel do médico é justamente o de saber diferenciar um transtorno depressivo de um quadro de blues puerperal. Caso os sintomas persistirem para além dos dez dias pós-parto, é necessário o auxílio de um psiquiatra para a reavaliação do quadro”, explicou.

A psiquiatra ainda alerta para o fato de que mulheres que já viveram quadros depressivos anteriores à gestação ou vivem a primeira gravidez estão mais pré-dispostas à depressão pós-parto e, portanto, devem contar com um acompanhamento psicológico já durante o pré-natal.

As mães que passam por um período emocional delicado também se tornam mais suscetíveis ao quadro depressivo. Logo, no período pós-parto, uma rede de apoio é fundamental para que a mulher se sinta mais segura.