18/09/2018 08:56

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Paulo César Desidério com Gilvan Melo

Fotos: Divulgação

De 09 a 14 de setembro, a cidade de Búzios, no estado do Rio de Janeiro, recebeu a 42ª Reunião dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Profissional e Tecnológico do Brasil (Reditec). O campus de Tangará da Serra do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) foi representado por seu diretor, Gilcelio Peres, que falou à Pioneira acerca do evento e suas discussões.

“É uma reunião que reúne e congrega reitores, pró-reitores e os diretores gerais de toda a rede federal de Ensino Técnico e Profissionalizante, os Institutos Federais e algumas escolas vinculadas à rede, que são escolas pontuais de Minas, Rio de Janeiro e outras vinculadas a universidades. Nós somos da rede federal de ensino, só de institutos federais nós somos 643 campi esparramados pelo país inteiro. Então, é uma grande reunião que reúne quase 1000 pessoas, isso também porque ela sempre é aberta para participação internacional”, relata, ao destacar que integrantes de países latino-americano, chineses e canadenses estiveram participando do evento.

Anexo ao evento, ocorreu a Tenda Tecnológica, evento com viés científico que premia os melhores trabalhos. O estado de Mato Grosso foi representado por alunos de Sinop, Barra do Garças e Primavera do Leste, que desenvolvem trabalhos na área da robótica.

Dentre os trabalhos que foram apresentados e chamaram atenção de Gilcelio, estavam maionese com soro de leite. No trabalho, provou-se que com o reaproveitamento da substância que costuma ser descartada, é possível dar ao produto o mesmo sabor somado à uma eliminação de 1/3 da gordura do produto tradicional. Outro trabalho citado pelo diretor trata sobre técnicas de torração de café. Este, comprovou que dependendo do processo, é possível se ter café com sabores e qualidades diferenciados.

Na esfera das discussões mais aprofundadas acerca da realidade das instituições federais no que tange gestão e distribuição de ensino por meio das políticas públicas do governo federal, Gilcélio ressaltou que a reforma do ensino médio foi um dos temas debatidos. A conclusão passa por dúvidas em relação ao funcionamento dos Institutos Federais pelo país, visto que há diferença entre proposta do governo e módulos de atuação dos IF’s.

“A reforma do ensino médio, que é uma reforma perigosa porque traz o encantamento à primeira vista na comunidade, mas é uma proposta que vai acabar, na nossa avaliação, desmontando o ensino médio tendo um retrocesso, diminuindo a qualidade do ensino médio. Para nós que fazemos ensino médio integrado ao técnico, é um desafio muito grande compreender como é que nós vamos ficar inseridos nessa nova reforma do ensino médio. Debates e fóruns deverão ser feitos junto ao Ministério da Educação para entendermos como ficará a nossa situação, porque o nosso modelo de ensino médio não é o mesmo proposto na reforma do novo ensino médio do governo”, afirmou.

Outro tema delicado e atual sobre a educação brasileira é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 95, aprovada por Câmara e Senado Federal, que passou por sanção do presidente da república Michel Temer (MDB). Nela, ficou determinado o congelamento de investimentos de recursos públicos que afeta diversos setores, dentre eles, a educação. A avaliação dos presentes no Reditec foi contrária à medida.

“Nós nos posicionamos quanto aos cortes orçamentários de investimentos para a educação, que já vêm diminuindo nos últimos dois anos e a tendência é que diminua mais ainda, porque no ano passado o governo aprovou e sancionou a emenda constitucional do teto, a emenda 95, que limita e congela por 20 anos investimento em educação entre outras áreas”, disse Gilcelio.

A avaliação geral feita pelo diretor do IFMT de Tangará da Serra é de que no período de menores investimentos, a união e regionalização entre as instituições será fundamental para que haja economia sem perda de excelência.

“Foram discussões muito valiosas, muito bacanas, e o Instituto Federal de Mato Grosso esteve lá presente tanto com reitor, seus diretores gerais, fizemos um fórum da região Centro-Oeste junto e avaliamos que devemos nos encontrar mais uma vez no ano que vem para discutirmos questões regionais e dividirmos boas experiências, fazermos ações conjuntas, evitando gastos. Nesse tempo de contingenciamento, a ideia é essa, trabalharmos de forma regionalizada, para conseguirmos continuar com ensino médio, ensino técnico, ensino superior de qualidade, público, gratuito, adequando-se a essa realidade que nos desafia a trabalharmos com qualidade mesmo com pouco investimento do governo”, concluiu.

IFMT campus de Tangará da Serra foi representado na 42ª Reditec, no Rio de JaneiroIFMT campus de Tangará da Serra foi representado na 42ª Reditec, no Rio de JaneiroIFMT campus de Tangará da Serra foi representado na 42ª Reditec, no Rio de JaneiroIFMT campus de Tangará da Serra foi representado na 42ª Reditec, no Rio de Janeiro