02/08/2018 13:18

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Rádio Pioneira com Gazeta Digital

Enquanto agentes envolvidos na operação Déjà vu vasculhavam nesta quinta-feira (2) a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), sala por sala, o presidente da Casa, deputado estadual Eduardo Botelho (DEM), convocou coletiva em espaço separado, distante dos policiais, para tentar explicar o ocorrido, rebatendo qualquer constrangimento.

João Vieira

“Aqui não tem nada que está sendo escondido”, comentou Botelho, aparentando nervosismo.

A operação batizada de "Déjà vu" foi deflagrada para cumprir as ordens judiciais de busca e apreensão com objetivo de obter provas por crimes de associação criminosa, supressão de documentos e peculato, com envolvimento de servidores públicos, empresários e parlamentares estaduais.

Os mandados judiciais foram expedidos pelo desembargador João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Segundo Botelho, que exerce a função de presidente da Mesa Diretora, os arquivos da Casa de Leis não abrigam documentos sobre atos de corrupção.

“O administrativo desta Casa está aberto para eles e para qualquer um. Tudo que nós fazemos aqui está no Fiplan [ Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade]. Aqui a transparência é total. Pode vir a hora que quiser aqui dentro desta Casa. Inclusive, pode vir sem mandado. ‘Nós vamos entrar, queremos ver o financeiro, queremos olhar documento’, pode vir, está liberado”, explicou o deputado.

A ação contou com apoio do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco – criminal) e o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), composto por membros do Ministério Público, Polícia Civil e Polícia Militar.

Ainda durante coletiva, o presidente da Mesa Diretora comentou informações sobre a operação. O caso é sigiloso. “Aqui não tem nada que tá sendo escondido, existe uma dúvida sobre alguém que disse que deu uma nota fria. Essa nota não existe aqui dentro. Eles têm dúvida? Pode vir”, finalizou.

O deputado comentou ainda que as investigações almejam informações sobre verbas indenizatórias.

Investigação

Eduardo Botelho, os também deputados Zeca Viana (PDT), Ondanir Bortolini ("Nininho") (PSD), Wancley Carvalho (PV), o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), e o deputado federal Ezequiel Fonseca (PP) foram delatados em agosto de 2015 pelo empresário Hilton Carlos da Costa Campos.

Segundo informou Hilton Carlos, no 1º semestre de 2011 ele foi procurado por um servidor da Assembleia Legislativa, de nome Vinícius Prado, que lhe propôs o fornecimento de notas fiscais falsas ("notas frias"), para simular a aquisição de materiais de papelaria e insumos de informática, em troca do pagamento de 10% sobre o valor nominal de cada nota.

Ainda segundo Hilton Carlos, foram emitidas centenas de notas fiscais falsas para a Assembleia Legislativa do Mato Grosso, utilizadas para comprovação de despesas indevidamente ressarcidas com emprego de verbas indenizatórias parlamentares.

O Ministério Público fez levantamento das notas fiscais que o próprio emissor reconheceu serem falsas, e que foram apresentadas para a Assembleia Legislativa do Mato Grosso, constatando a sua utilização pelos deputados

As investigações inicialmente foram realizadas sob orientações do Superior Tribunal Federal (STF), por prerrogativa de foro de Fonseca. Porém, após estabelecimento de novo entendimento sobre privilégios em função de cargos, o caso desceu para a Justiça em Mato Groso. Não há confirmação de que a Operação Déjà vu tenha ligação com o inquérito inicialmente relatado no STF.