18/06/2018 15:31

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Paulo César Desidério com Gilvan Melo

O produtor rural Rui Carlos Ottoni Prado esteve ministrando palestra no Campus de Tangará da Serra da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), voltado aos acadêmicos do curso de agronomia da instituição. Natural de Campo Grande, mas residente em Campo Novo do Parecis há anos, Rui falou para a reportagem da Rádio Pioneira a respeito do cenário do agronegócio na região neste ano de 2018.

“O que ocorre hoje no agronegócio brasileiro, especificamente mato-grossense é que nós somos muito desenvolvidos no que se refere ao volume de produção. Tanto é que Mato Grosso é o primeiro produtor de soja, algodão, o estado tem o maior rebanho bovino do Brasil, mas mesmo com todo esse volume de produção ainda falta tecnologia no campo, falta ferramentas, mecanismos para estarmos trabalhando melhor todas essas áreas. Então, eu como produtor rural, sinto a necessidade. Nós queremos nos aproximar do conhecimento hoje representado pelas universidades e aqui a Unemat é um polo muito importante do nosso estado e região de conhecimento e transferência de tecnologia”, disse.

Rui Prado avaliou a palestra como proveitosa. Em sua opinião, o elo entre pesquisa e produção rural é fundamental para o benefício de toda a sociedade.
“Essa palestra que nós fizemos na Unemat reflete o anseio e o sentimento que o produtor rural tem da necessidade, dessa tecnologia. Então, discutimos vários fatores e foi muito bom, muito proveitoso. Acredito que a partir de conversas como essas, de produtores rurais e pesquisadores, professores, nós podemos ter uma melhor produção e é um projeto ganha-ganha. Ganha as universidades, ganha o produtor rural e ganha a sociedade, na medida que vai ter uma abundância de alimentos num preço mais justo e compatível”, destacou.

Sobre o giro de produção de grãos e outros produtos, Rui afirmou ver com bons olhos o ano de 2018, principalmente pelo superávit em relação a 2017, quando lavouras de toda a região sofreram com a forte quantidade de chuvas registrada, que chegou a deixar plantações alagadas, causando prejuízos para produtores.

“Nós viemos de uma colheita complicada no ano passado, principalmente de soja, que é a maior cultura nossa aqui na região e nesse momento houve uma recuperação, não houve os problemas que houveram ano passado na nossa região em relação à produção de soja, nem a produção de milho. As lavouras estão andando bem neste momento, como por exemplo o algodão e todas as culturas que foram plantadas em segunda safra, e aqui já se destaca também a cultura do girassol, grão de bico, o próprio feijão-caupi. Isso tudo tem dado uma boa produção aqui na região e isso reflete em toda a sociedade, porque quando a produção é maior, ela movimenta mais pessoas, máquinas, há um consumo maior de combustíveis, de peças, maior necessidade de fretes, então isso tudo reflete no aquecimento de vendas nos mercados, nas lojas, isso tudo é muito bom para nós que vivemos aqui nessa região”, salientou, ao afirmar que há espaço para novos meios de produção e geração de riquezas na região, apontando como o principal deles a industrialização.

“Esse é o próximo caminho que temos que perseguir em nossa região. Tangará como cidade polo em nossa região, precisa que venha mais indústrias para cá para industrializar toda essa matéria prima que vem do agronegócio e transformar em produto elaborado com valor maior agregado nessa produção e logicamente gerando mais empregos e dando mais oportunidades de trabalho para todos nós”, salientou.

Candidato ao senado nas eleições de 2014, Rui Prado tem desta vez o nome ventilado a concorrer uma cadeira na Câmara Federal. Sobre as especulações, o produtor rural afirmou que “ninguém é candidato de si mesmo” e relembrou sua trajetória de atuação em organizações representativas como o Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis (ao qual é fundador), Aprosoja-MT (também foi fundador), Aprosoja Brasil, Senar-MT Famato Senar, todas como presidente, não descartando as possibilidades de colocar o nome novamente à disposição.

“Com esses afazeres, com esse trabalho, o meu nome teve uma certa projeção e aceitação na classe produtora e agora nesse momento, estou sendo convocado pelo meu partido, pelos colegas e companheiros de luta para também estar falando numa pré-candidatura a deputado federal. Logicamente é uma pré-candidatura, não tem nada definido, nada como certo, mas de qualquer forma estou conversando com os amigos, apoiadores, com pessoas que pensam como a gente, que pensam num Brasil melhor, num Brasil mais justo, num estado brasileiro menor, que não tenha uma máquina tão inchada como hoje”, colocou.

Embora não tenha admitido, Rui Prado deu a entender que tudo depende da sigla a qual é filiado, o PSDB. Caso a convenção do partido acene positivamente, o agricultor deve concorrer ao cargo de deputado federal. Segundo ele, a briga dos brasileiros deve ser em relação ao contingenciamento da máquina pública.

“Qualquer cidadão hoje quer um estado brasileiro que funcione, que seja rápido, que seja ágil. Para isso, não precisa ter por exemplo esse número exagerado de deputados federais, número exagerado de senadores, privilégios enormes aos poderes judiciário, executivo, o próprio poder legislativo. Nós não aguentamos mais isso como gente, como cidadãos que somos. Então, pensando desse jeito, num Brasil melhor, num Brasil mais produtivo e de oportunidade para todos, existe sim uma intenção de pré-candidatura que está sendo construída. Mas, o candidato hoje no Brasil só vira candidato após a convenção dos partidos. Então, logicamente tem que ter uma aceitação primeiro do próprio pré-candidato, da família, dos amigos, da região, das pessoas e é isso que estamos fazendo, conversando com as pessoas para tentar chegar a ter um Brasil menor que é o que todos nós queremos”, finalizou.

​Ex-presidente da Aprosoja ministrou palestra na Unemat campus Tangará da Serra​