05/06/2018 07:18

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Rádio Pioneira com Gazeta Digital

A pedido do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco Criminal), o desembargador José Zuquim Nogueira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) proibiu que investigados nas Operações Bereré e Bônus que estão em liberdade visitem os presos do Centro de Custódia da Capital (CCC) que também são acusados de participação no esquema de propina de mais de R$ 30 milhões que era operado no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT) através de contratos com a EIG Mercados e algumas empresas fantasmas.

A medida foi adotada após o Ministério Público Estadual (MPE) constatar que deputados estaduais estavam desrespeitando as regras do sistema penitenciário mato-grossense para ter acesso aos presos da Operação Bereré que estão detidos no CCC desde o dia 9 de abril. À ocasião foram presos o deputado Mauro Savi (DEM), o ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, seu irmão Pedro Jorge Zamar Taques e os empresários Roque Anildo Reinheimer, Claudemir Pereira dos Santos e José Kobori.

Com a entrada de parlamentares e servidores da Assembleia no Centro de Custódia, os investigados pelo esquema de propina, em especial o deputado Mauro Savi estavam tendo regalias em relação a outros presos.

Marcos Lopes/AL

Ninho é investigado na Operação Bereré e foi ao CCC visitar Mauro Savi

O Gaeco constatou que Savi recebeu as visitas dos deputados Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD) e Max Russi (PSB). Nininho é um dos investigados na Bereré e foi denunciado ao lado de outros 6 parlamentares estaduais e mais 51 pessoas entre servidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, ex-servidores e outros políticos sem mandato.

Com a nova decisão de José Zuquim que lá atrás havia decretado as prisões e autorizado as buscas e apreensões contra os investigados, que as visitas aos denunciados na Operação Bereré deverão ser previamente autorizadas. Os visitantes deverão ser identificados com a respectiva carteirinha, conforme se exige de todos os custodiados, bem como o atendimento das regras do sistema penitenciário.

Conforme documentos que o Gazeta Digital teve acesso, o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Fausto José Freitas da Silva, e o diretor do Centro de Custódia da Capital, Everton Santana Gonçalves, já foram comunicados sobre as proibições. O juiz Geraldo Fidélis Neto, titular da Vara de Execuções Penais e corregedor dos presídios de Cuiabá, também já foi oficiado sobre o teor do novo despacho de Zuquim.


Deputado Max Russi também visitou Mauro Savi

A lista com pedido de proibições enviada ao desembargador José Zuquim é assinada por 5 promotores de Justiça incluindo Marcos Bulhões dos Santos, que é o chefe do Gaeco. Eles tomaram tal atitude após Bulhões tomar conhecimento, através de um ofício no dia 23 de maio, informando “que os presos em decorrência da Operação Bereré/Bônus estariam, em tese, usufruindo de regalias não estendidas aos demais segregados no Centro de Custódia da Capital”.

Regalias e estoque de frutas durante greve dos agentes

O promotor de Justiça, Célio Wilson de Oliveira, da Promotoria de Justiça do Núcleo de Execuções Penais da Capital, esteve no Centro de Custódia e constatou no local a entrada de mercadorias em beneficio dos presos, principalmente aqueles que estão na chamada ala de Estado Maior (deputado e advogados). Porém, eram mercadorias permitidas de acordo com o regulamento das unidades prisionais do Estado.

Questionada a quantidade, o diretor informou que estava entrando uma quantidade maior de frutas porque não haveria visita no final de semana por cuasa de uma greve de 3 dias programada para sexta, sábado e domingo (25, 26 e 27 de maio).

Na checagem do livro de visitas foi constatada a entrada dos deputados Nininho e Max Russi, o ex comandante geral da PM, coronel Nerci Adriano Denardi, além de uma comissão de servidores da Assembleia Legislativa, sob o argumento de que iriam inspecionar as instalações onde se encontrava preso o deputado Mauro Savi.

“Conversei com o Diretor e disse que as visitas deveriam ser previamente autorizadas e identificadas com a carteirinha de visitante, conforme se exige de todos os presos. Alegou que os agentes não tiveram como barrar os deputados e demais pessoas que afirmaram ter prerrogativa de inspecionar órgãos públicos", relata Célio Wilson no documento.

Reprodução/GazetaDigital