18/05/2018 07:23

Quantidade de visualizações: 170

Marlenne Maria com Gilvan Melo

A coordenadora de Atenção Básica À Saúde em Tangará da Serra, Gicelly Zanata relatou em entrevista à Rádio Pioneira, que o município já encaminhou pedido de mudanças em relação à escala de férias dos profissionais que atendem pelo programa Mais Médicos.

O programa Mais Médicos foi implantado no país já há alguns anos. Em Tangará da Serra, desde 2014 vários profissionais atendem através do programa.

Gicelly explica que eles são cooperados e por isso a Secretaria de Saúde não pode decidir seu período de férias. “É uma cooperação entre o Brasil e a OPAS - Organização Pan-americana de Saúde. Com o acordo de cooperação, não conseguimos, por exemplo, controlar as férias deles. Recebemos da OPAS a listagem daqueles que estão saindo de férias. Já fizemos comunicado tanto para o Ministério da Saúde quanto para a OPAS, sobre nossa dificuldade por ficar sabendo disto em cima da hora”, disse.

Segundo ela, no ano passado a dificuldade não foi tão expressiva porque estava terminando um ciclo, o que fez com que enquanto alguns fossem embora outros estavam entrando. “Não houve grande saída ao mesmo tempo. Mas, neste ano, recebemos comunicação oficial apenas no dia 7 de abril, informando que dia 10 eles esteariam estar em Cuiabá já com os bilhetes de passagem a caminho de Brasília e para Cuba no sábado. Foi inesperado, então não tínhamos muito que fazer”, destacou.

Para amenizar as dificuldades, a coordenadora explica que houve acordo com os médicos que seguem atendendo para ajustar o acesso da população. “ Saúde da família deve atender na área de abrangência. Então, os casos de urgência na atenção básica serão encaixados em unidades referenciadas onde há médicos. Já as urgências mais graves são realmente na UPA”, explicou.


Segundo ela, na maioria das unidades onde não havia agendamento já realizado, ficou estipulado que as equipes façam o atendimento pela demanda espontânea. “O paciente vai chegar e teremos cerca de 12 consultas na unidade, tendo assim espaço para que aquela referência atenda pacientes de outra área. Tínhamos já três médicos que haviam pedido férias para maio. Mas com esta saída dos cubanos temos hoje 11 profissionais médicos em férias”.

Gicelly disse estar ciente do impacto que a mudança causa junto à população. “Sabemos, mas, são coisas que não fazem parte do que podemos gerir. Não conseguimos ter esta gestão das férias destes médicos cooperados. Só dos outros que podem estar no programa, mas porque são brasileiros ou porque são Inter cambistas, então eles negociam conosco. Mas, com os cooperados não temos esta liberdade. Agora saíram oito e daqui há alguns meses, não sabemos quando ainda, mas, há rumores que seja em julho, os outros que não foram agora, irão na próxima remessa”.

Ela ressalta que se houvesse comunicado prévio sobre o período de férias, seria mais fácil a adequação. “Já remetemos ofício pedindo que não colocassem tantos médicos em uma mesma data. Nós somos a cidade que mais médicos cooperados tem no estado. Do Mato Grosso saíram nove médicos, dos quais oito são de Tangará. Se houvesse um rodízio, poderíamos fazer uma cobertura melhor. Hoje também não resolve encaminhar médicos de um local a outro. Então, vamos atender nestas unidades referenciadas”.

A coordenadora lembrou ainda que os médicos costumam permanecer fora do município por cerca de 35 dias, já que o tempo de viagem entre Tangará e Cuba, na ida e no retorno, não está computado dentro dos 30 dias de férias. “Vamos ficar sabendo na véspera do retorno, quando nos mandarem uma cópia do bilhete”, concluiu.