17/03/2018 08:25

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Paulo César Desidério - Redação Pioneira

Deputada estadual por três mandatos e única mulher a ocupar o cargo de senadora representando o estado de Mato Grosso, Serys Slhessarenko está atualmente fora da vida pública. Filiada ao PRB há dois anos, a ex-petista esteve em Tangará da Serra e concedeu entrevista exclusiva à Rádio Pioneira.

Causas Femininas

Conhecida por sempre militar pela causa feminina, Serys admitiu que longe da vida pública se torna mais difícil oficializar conquistas em prol das mulheres. No entanto, ela alegou não estar “parada na luta”. Ela fez um apelo em defesa das donas de casa.

“Quero deixar um abraço para as chamadas donas de casa que não trabalham fora e muita gente diz que elas não trabalham. Trabalham e trabalham muito. Eu diria que aquela mulher que fica em casa são as que mais trabalham. Todo dia faz café, limpa casa, faz comida, almoço, janta, limpa a cozinha. É uma coisa extremamente trabalhosa”, argumenta.

Quanto aos recorrentes casos de violência e discriminação contra a mulher registrados diariamente, Serys declarou que os homens também podem ser aliados e devem ajudar a combater esses problemas.

“A gente tem que fazer um apelo para os homens que nos ajudem, que ajudem as mulheres do seu entorno a superarem todo tipo de discriminação e não permitam nenhum ato de violência contra essas mulheres. A mulher trabalhadora, do trabalho mais humilde é tão honrada quanto a doutora de gabinete”, ressaltou.

A mulher no mercado de trabalho foi mais um assunto em que a ex-senadora tocou. Serys questionou a diferença existente entre salários de homens e mulheres que muitas vezes são designados para a mesma função.

“Na questão do trabalho tem muita discriminação também. Mais especificamente contra as mulheres, que pelo mesmo serviço prestado ganham menos que o homem. Por que? Elas têm capacidade também para desempenhar aquele serviço. Ainda tem muitos lugares que a mulher faz a mesma coisa e ganha menos. Isso está errado, isso não pode acontecer”, disse Serys, que apontou ainda que na política a discrepância também existe, relacionada a quantidade de mulheres em cargos públicos.
“Na política, pior ainda. Se você vai a um evento qualquer, você vê gente do governo, do parlamento, do judiciário, olha e praticamente todo mundo é homem. Mas toda vida não tem nenhuma mulher ou uma, duas no máximo. Isso aí mostra claramente que a mulher ainda tem que caminhar muito para a conquista de igualdade de direitos. Eu digo sempre que nós não queremos como mulheres ser mais do que os homens. Mas muito menos, menos. Nós queremos ser somente iguais. Eu não sou contra que as mulheres ganhem flores, ao contrário, eu acho muito bom. Mas eu acho melhor ainda um outro presente que a gente ganhe, que é o respeito. Respeito no trabalho, na família e respeito na política”, complementa.

A ex-senadora lembra que conseguiu alguns feitos importantes e um deles teve origem em Tangará da Serra, com reivindicações de Elaine Brinker e Maria Edna (ex-presidente da Associação das Empregadas Domésticas de Tangará da Serra).

“Aqui em Tangará teve um projeto sobre a questão do trabalho das domésticas que emergiu daqui uma emenda popular grandiosa com abaixo-assinado de milhares de pessoas e a gente conseguiu que fosse protocolado em uma comissão em Brasília. A Drª Elaine ajudou muito, a liderança da Edna foi muito importante e eu tive muitas vezes aqui com sala cheia para discutir a questão dos direitos da mulher”, conta, ao lembrar que a classe das empregadas domésticas por muito tempo não tiveram direitos assegurados.

Sobre as eleições deste ano, Serys não confirmou candidatura a algum dos cargos. A especulação é que ela possa ser candidata a deputada federal. Ela conclamou as mulheres a participarem da política.

“É um ano eleitoral. Vamos para a luta mulheres! Mulher tem capacidade, tem competência sim e pode chegar aos mais altos cargos desse país. Eu não cheguei a senadora? Fui senadora. Disputei com grandes candidatos, ex-governador, dois senadoras ativos que estavam terminando o mandato e ganhamos a eleição. É raro e é difícil? É. Só que não é impossível”, disse.

Política

A filiação de Serys ao Partido Republicano Brasileiro foi importante para a sigla obter expansão no estado de Mato Grosso. O número de cidades que possuem diretórios municipais do partido passou de 25 para 105. Em Tangará da Serra, o presidente é Silvano Firmino.

“Nós tínhamos apenas 5 vereadores no estado inteiro. E nas últimas eleições, nós elegemos 33 vereadores; elegemos 3 prefeitos, não tinha nenhum; e 5 vice-prefeitos. Demos um salto grande, mas não tínhamos nenhum deputado (Adilton Sachetti trocou o PSB pelo PRB recentemente). A nível nacional nós temos 24 deputados federais e o que dá o tamanho do partido é o número de deputados federias. Então, para quem quiser saber se somos grandes ou pequenos, nós somos médios em crescimento, porque todo partido com menos de 24 deputados federais é menor do que nós”, afirmou, ao projetar crescimento já nas eleições deste ano.

A ex-senadora explicou que ela, juntamente do presidente regional do partido, Rogério Rossetti, sob orientação do presidente nacional do PRB, Marco Pereira, estão percorrendo municípios do estado, observando a articulação do PRB nessas cidades.

“A gente está caminhando pelos municípios, vendo, discutindo, conversando com presidentes do partido, observando a organização e o fortalecimento. Nós queremos que mais gente filie ao partido, que as pessoas aproveitem esse espaço de filiação até 07 de abril e que as pessoas que queiram ser candidatas se filiem ao partido”, completa, ao elogiar a organização do partido em Tangará da Serra.

A ex-senadora falou também a respeito da importância da política para a sociedade. Segundo ela, embora o momento seja de desânimo em relação aos cargos públicos eletivos, não se deve virar as costas para a política e ter um posicionamento é fundamental para a democracia

“Não quero saber de nenhuma mulher e nenhum homem dizendo que não gosta de política, que não quer saber de política e que não vai nem votar. Por favor. Não digam, não façam isso. Quem pretende não votar sabe o que está fazendo? Dando um tiro no pé, fazendo política contra si mesmo. Se você que se vê como uma pessoa do bem não se posiciona, não corre atrás para estudar a vida do candidato, para escolher a vida do candidato (...) não é por aí. O candidato se escolhe pela história dele, porque se os do bem não fazem política, os do mal fazem, e fazem a favor deles e contra você”, afirmou, ao frisar que aqueles que se abstêm do voto acabam perdendo o direito de reclamar.

“Se você que é do bem não escolher direito os políticos que vão te representar, você não tem direito nem de reclamar. Se você não quiser votar, não vai poder reclamar para ninguém porque você deixou rolar. Então, tem que votar sim, votar para quem você acredita e pegar no pé. Votou, o seu candidato ganhou, pega no pé e faz acontecer o que você acredita e precisa”, observou.

Serys revelou não receber aposentadoria como deputada e como senadora, como prevê a lei. De acordo com ela, aos 72 anos, é beneficiada apenas pela aposentadoria por tempo de serviço na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

“Eu não sou aposentada nem como deputada, nem como senadora. É direito e é legal, mas é imoral. Eu não compactuo com imoralidade, não aceitei. Vivo na marca do pênalti economicamente porque sou aposentada só como professora da Universidade Federal de Mato Grosso. Podia ser aposentada com polpuda grana, mas como é que a cabeça ia deitar no travesseiro sabendo que tem aposentados e idosos por aí ganhando um salário mínimo para aposentadoria que não tem dinheiro para comprar remédio? Está errado. Tenho que ser aposentada por aquilo que trabalhei o tempo que eu precisava para me aposentar”, concluiu.

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