05/02/2018 13:16

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Rádio Pioneira com G1/MT

O jornalista Kléber Lima nega as acusações (Foto: José Medeiros/Gcom-MT)

Ex-secretário de Comunicação de Mato Grosso, Kléber Lima, que atualmente ocupa o cargo de secretário estadual de Cultura, virou réu em um processo em que é acusado de assediar moralmente e sexualmente servidores do Gabinete de Comunicação do Estado (Gcom-MT).

Kléber Lima ainda não se manifestou sobre a decisão, mas, em depoimento que consta no processo, negou a acusação.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado (MPE), em setembro do ano passado, foi aceita pela juíza Célia Regina Vidotti, da Vara de Ação Civil Pública de Cuiabá.

Para a magistrada, existem elementos suficientes para embasar a ação inicial.

"Existindo elementos suficientes para o prosseguimento da ação, o recebimento da petição inicial é medida que se impõe, possibilitando a instrução processual e análise acerca da existência ou não dos atos de improbidade administrativa atribuídos ao requerido", diz, em trecho da ação.

À época da denúncia, a magistrada determinou o afastamento de Kléber do cargo de secretário de Comunicação, mas depois ele conseguiu reverter a decisão e voltou à função, no mês seguinte.

Em janeiro, houve remanejamentos no primeiro escalão do governo e, com a saída do maestro Leandro Carvalho do comando da Secretaria Estadual de Cultura (SEC-MT), ele assumiu a vaga, sendo substituído no Gcom-MT por Marcy Monteiro, que era adjunto da pasta.

Na ação, o MPE aponta que, valendo-se da condição de superior hierárquico, praticou assédio moral e sexual no âmbito do Gcom.

Uma servidora denunciou o secretário por assédio sexual. Em depoimento ao MPE, ela disse que Kléber teria tentado lhe beijar à força.

"Na copa, que é um lugar público no Gcom, ele falou assim para mim: você nunca me deu um beijo. Quando eu dei bom dia, ele segurou a minha mãe e não soltou mais. Ele me puxou de uma forma que eu voltei, daí ele passou o braço em mim, meio que me abraçou. Fiquei muito constrangida", diz.

Um dos servidores apresentou um áudio em que o próprio Kléber Lima diz que não o atura mais e que se pudesse o demitiria. O secretário ainda pede que ele saia do grupo de WhatsApp, que reúne assessores de imprensa do governo do estado, "para não contaminar os demais".

Represálias

Segundo denúncia dos servidores públicos, as represálias começaram depois que eles questionaram o uso da máquina pública pela secretaria de Comunicação para beneficiar integrantes do primeiro escalão do atual governo, que pretendem disputar a eleição em 2018.

Os servidores também teriam sido proibidos de participarem de protestos da categoria e recebido ameaças de terem telefones grampeados, sob acusação de que teriam vazado informações da secretaria.

Uma testemunha afirmou que Kléber Lima ameaçou grampear o telefone dela, antes do escândalo das interceptações clandestinas no âmbito da Polícia Militar de Mato Grosso vir à tona. O caso foi divulgado pelo Fantástico em maio deste ano e ameaça teria sido feita no início deste ano.