02/02/2018 15:14

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Marlenne Maria - da Redação

O médico Clínico Geral, Dr. Lidionei Siqueira, falou em entrevista ao programa O Povo no Rádio da Pioneira nesta sexta-feira, avaliando algumas situações vividas em Tangará durante o recente surto de conjuntivite.

O surto ainda não está totalmente eliminado, mas o volume de casos tem reduzido aos poucos.

Uma das medidas, que em muitos casos deixou de ser cumprida e contribuiu para a piora do surto, foi a do afastamento de ambientes como o do trabalho em caso de recomendação por atestado médico.

Dr. Lidionei explicou que não é excessivo o tempo do atestado médico de 5 a 10 dias para que haja recuperação no caso da conjuntivite. “Vimos empresas que proibiram funcionários de pegar atestado médico. Com o medo de perder o emprego, o funcionário acabava indo trabalhar doente. Isso trouxe muitos prejuízos para muitas pessoas. Mas, quando se evita o contato com outras pessoas quando está doente, ajuda a quebrar o ciclo da doença”, alertou.

O médico explicou que a conjuntivite é uma inflamação da membrana que reveste o branco dos olhos e a região das pálpebras e que é causada por um vírus altamente transmissível. “Se apertar a mão, abraçar muito próximo ou também se pegar em uma maçaneta, botão, controle remoto ou mesmo no elevador e depois levar a mão involuntariamente aos olhos, pode pegar a doença. Com a secreção que sai dos olhos, acaba transmitindo, se não lavar adequadamente as mãos. Isso causa preocupação porque os olhos são o cartão de visita de cada pessoa”.

Ainda falando sobre a necessidade do afastamento do trabalho, o médico lembrou casos de constrangimento. “Tive paciente que disse pensar que estava com a pior das doenças, porque as pessoas viam os olhos vermelhos e se afastavam imediatamente. Então, é melhor se afastar do trabalho, isolar e evitar o contato muito próximo. Até porque aqueles com quem trabalhamos tem família em casa também. E se vamos passando para outros, é um ciclo”.

Segundo o Dr. Lidionei, o surto também desencadeou corrida desenfreada às drogarias em busca de colírios. “Independente do antibiótico que havia no colírio, as pessoas usaram, sem critério nenhum. E muitos acabaram vendendo tudo que tinham em estoque, independente do antibiótico que havia. Só que, para vírus o antibiótico não tem efeito. Se tiver corticoides junto acaba piorando a doença. É melhor ir para o médico sempre”.

O médico explicou que os especialistas dizem que a compressa gelada nos olhos, hidratando bem, é suficiente para a recuperação. “No período que tem que passar de alguns dias, melhora. Mas, se usar produto inadequado acaba criando uma bactéria e complica ainda mais. Muitas vezes o cuidado mais simples era o que mais resolveria o problema”.

Dr. Lidionei também alertou para o cuidado com a higiene das mãos e também de se manterem os banheiros em espaços públicos adequadamente higienizado. “A lavagem das mãos é a principal medida, porque é simples, ao alcance de todos. Mas, não podemos banalizar o banheiro. É preciso desinfetar, usar água sanitária durante a limpeza e ter sabonete líquido. Sabão em barra, já foi comprovado que é meio de cultura de bactérias naquela água que fica embaixo do sabão”, explicou.