30/11/2017 13:50

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Marlenne Maria - da Redação

Dr. Alessandro Zuchetto - Médico Infectologista e Cláudia Cunha - Enfermeira do CTA/SAE.

Esta sexta-feira, 1º de dezembro é o Dia Mundial de Luta contra a AIDS. Em Tangará da Serra, a equipe do CTA/SAE – Centro de Tratamento Avançado e Serviço de Atendimento Especializado trabalha com prevenção e tratamento desta síndrome e todas as doenças sexualmente transmissíveis.

A mobilização em relação ao Dia de luta contra a AIDS começa hoje (30). Estudantes de enfermagem do SENAC participam de panfletagem hoje as 18:30 na Praça da Bíblia. “Estaremos sensibilizando para que as pessoas conversem um pouco sobre este assunto e entregando panfletos orientando sobre estas doenças e principalmente o vírus do HIV”, explicou Cláudia cunha Oliveira, Enfermeira do CTA/SAE, em entrevista ao programa O Povo no Rádio da Pioneira.

O Médico Infectologista Dr. Alessandro Zuchetto também esteve no estúdio da emissora e explicou que ainda na atualidade o problema maior em relação à AIDS é o preconceito. “O que é mais eminente hoje em dia é o preconceito no que se relaciona ao vírus HIV. Hoje o diagnóstico é muito simples de ser feito e o tratamento também é muito eficaz. Não chegamos ainda ao ponto de cura, mas com o medicamento atual podemos oferecer qualidade de vida excelente ao paciente. É como uma doença autoimune, como a diabetes, hipertensão ou doença reumática que não tem cura, mas pode ser tratada. Traz até menos risco que outras doenças”.

Ele lembrou que desde o início quando começou a epidemia de AIDS, na década de 80, ligava-se a doença à promiscuidade e isto levou ao preconceito. “Ainda ligam as pessoas que tem HIV a exposições de risco. Às vezes uma única exposição é suficiente. E muitos ainda pensam que chegando perto serão infectados. Nem encostando, nem pegando copos, nem saliva transmitem o HIV. É sangue ou relação sexual sem proteção. Até crianças que nascem de mães com vírus conseguimos hoje diagnósticos negativos”.

Tratamento

O médico lembrou que antigamente tomava-se mais de 10 comprimidos por dia. Atualmente são dois comprimidos por dia. “Lógico que é muito melhor prevenir para não adquirir a doença. E o melhor preventivo continua sendo o preservativo”, alerta.

Ele destacou ainda que a terapia para o HIV já não traz muitos efeitos colaterais como nos primeiros anos da doença. A expectativa é que se caminhe para a cura nas próximas décadas. “Hoje, por exemplo, para a hepatite C temos quase 100% de cura. HIV vai seguir por aí. A médio e longo prazo, com medicamentos diferentes, pode-se ter uma terapia muito melhor e quem sabe cura em cerca de 10 anos”.

A Enfermeira Cláudia destaca que toda a medicação para pacientes portadores de vírus HIV é oferecida somente na rede pública. “Para tentar o controle desta epidemia o tratamento vem só na rede pública”.

O alerta dos profissionais de saúde é no sentido de que a AIDS ainda mata. “Ela destrói as defesas e várias doenças podem aparecer. O diagnóstico tardio é ruim por causa disto”, explica o infectologista.

Aumento de casos

O boletim epidemiológico divulgado em 2016 apontou que no Brasil há 20 pacientes com HIV a cada 100 mil habitantes. Em Tangará foram registrados 37 novos casos neste ano. “Temos uma busca maior e estimulamos os diagnósticos. Não estamos acima da média, mas fechamos mais diagnósticos e temos mais busca ativa que em outras regiões do país”, explicou a Enfermeira Cláudia.

De acordo com os profissionais, a desinformação e o lazer sem responsabilidade contribuem para o aumento de casos. O médico infectologista alerta que a maior parte dos casos de HIV tem sido diagnosticado entre jovens e homossexuais. “Infelizmente nos últimos dois anos tivemos grande aumento de casos de HIV em jovens. Hoje 80% dos casos são de jovens entre 17 a 22 anos e entre homossexuais. Isto traz um receio muito grande, porque as redes sociais possibilitam promiscuidade e isto precisa ser observado”.

Casos de sífilis e gonorreia também tem aumentado, segundo a Enfermeira Cláudia. Em torno de 650 pacientes estão em tratamento de HIV no CTA/SAI. Hepatites B e C também são acompanhados e o número ultrapassa 500 pacientes. “O fluxo nossos é de referência a todas as DSTs. E este número tem aumentado. Percebemos claramente este aumento dos casos de DSTs entre os jovens. O perfil e os hábitos de vida das pessoas têm mudado e os jovens estão à frente disto. Esta situação de múltiplos parceiros e o não uso do preservativo leva a isto. Antigamente as pessoas tinham mais medo de adquirir estas doenças e de engravidar. Hoje em dia, a maioria acredita que as doenças estão muito distantes. Ao fecharmos diagnósticos, os jovens relatam que não esperavam, mas já haviam se exposto inúmeras vezes e não esperavam adquirir as doenças”.

Doenças assintomáticas

“Não tem cara para estas doenças. A grande maioria das vezes elas não manifestam sintomas. Então, é preciso pensar que o risco está em todas as relações sem preservativo”, alerta a enfermeira.

Dr. Alessandro também alertou: “A prevenção é a melhor opção. O HIV normalmente não traz sintoma nenhum. Demora em média 10 anos para manifestar a AIDS. E nestes 10 anos, você está transmitindo”.

Diagnóstico

O diagnóstico para a AIDS costuma ser positivo em torno de 45 a 60 dias após a exposição de risco. Aí é o momento de fazer o teste rápido. Entretanto, existe a possibilidade de fazer o tratamento pós exposição. Os testes rápidos são feitos diariamente de 2ª a 6ª-feira no CTA/SAI. E nesta sexta-feira (1º), todas as unidades de saúde de Tangará da Serra oferecerão os testes rápidos.

Informação e uso de preservativo

Todas as unidades de saúde distribuem gratuitamente os preservativos, mas estes não são usados na maioria das vezes. “É importante que as famílias conversem com os jovens sobre o uso do preservativo. Se for preciso conversaremos também lá no CTA/SAE para orientar. Às vezes é difícil para o pai e a mãe conversarem, mas tem que ser falado. Uma DST pode potencializar o risco do HIV em mais de 5 vezes. Tem que ser tratadas todas as lesões ou problemas na região genital”, explica Cláudia.

Dr. Alessandro, alerta para o risco que representam as drogas inclusive o álcool. “Chamamos de droga o álcool também. Quem faz ingestão de grandes quantidades de álcool perde muitas vezes o índice de racionalidade e pode acabar se expondo mais”.

Profilaxia pós exposição

No Brasil, para casos de exposição de risco, o Ministério da Saúde adotou a PEP – profilaxia pós exposição desde 2013. “A partir de 2015 esta PEP foi liberada não apenas para situações de violência sexual ou acidente ocupacional, mas também para toda a população que tenha tido uma relação sexual sem camisinha. Em até 72 horas, dependendo da situação, avaliada por médico podemos liberar esta medicação. É mais uma ação do Ministério da Saúde para tentar evitar a transmissão”, explica a enfermeira Cláudia.