13/11/2017 14:02

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Marlenne Maria - da Redação

O evento está sendo organizado por acadêmicos dos cursos de Ciências Contábeis, Administração, Agronegócio, Desenvolvimento de Softwares, engenharia civil mecânica e de produção. A integração dos cursos visa ganhar qualidade no evento, segundo a Professora Elcida, coordenadora do Curso de Ciências Contábeis. “Temos aqui a grata felicidade de contar com a nossa palestrante, que vem de Espírito Santo, da cidade de Vitória para nos brindar com esta palestra de abertura. O evento acontece de forma integrada em virtude da dificuldade de se juntar púbico e trazer palestrantes que realmente possam contribuir para o desenvolvimento dos acadêmicos e para a comunidade local. Um curso sozinho muitas vezes tem dificuldades em alcançar os objetivos. Por esta razão estamos integrando os cursos e trazendo palestras que trazem informações sobre a formação das pessoas, independente da área acadêmica”.

A palestrante da noite de hoje, Professora Doutora em Economia, Arilda Teixeira também falou em entrevista ao programa O Povo no Rádio da Pioneira. Ela explicou os desafios que o Brasil enfrenta. “O Brasil está diante de um desafio. A economia passa por um problema sério, complexo, de solução difícil. Na nossa conversa hoje a noite vou colocar o cenário para mostrar porque esta situação é complexa e porque esta solução é difícil. Temos problemas não conjunturais como uma chuva ou seca rápida. Temos problemas estruturais que impedem que a economia avance. Mesmo que os empresários queiram fazer negócios, mesmo que o consumidor queira consumir, obstáculos impedem. E estes obstáculos estão impedindo que o Brasil cresça”.

A economista disse que é uma otimista realista. “É melhor tratar o problema como ele é, enfrentando seus determinantes, porque aí sanamos as causas que nos impedem de crescer. Temos 13% da força de trabalho desempregada no Brasil. Este percentual também é registrado aqui no Centro Oeste. O desemprego é alarmante ´porque impede os trabalhadores de terem renda para se sustentar. É um problema econômico, mas com impacto social muito significativo e que deve preocupar a todos, principalmente os líderes, os dirigentes, porque além da economia, se refere a pessoas”.

“A sociedade vive um jogo jogado pelo setor privado e pelo setor público conjuntamente, cada um com seu papel. Mas, para que este jogo seja harmonioso e vitorioso, os papéis têm que ser cumpridos. E dentro da nossa deficiência estrutural está esta deficiência do jogo jogado no Brasil, porque os papéis não estão sendo cumpridos pelos dois lados. E a população é coadjuvante neste jogo, mas é a figura mais importante e precisa se dar conta do seu papel, enquanto posicionadora das suas decisões e necessidades. Esta consciência me parece, ainda não foi tomada. Estamos comodamente acostumados a acusar o outro pelo erro do outro, mas raramente olhamos para nossos erros e não vemos de que maneira estes estão alimentando o erro dos outros”.

Mudança de atitude é uma necessidade na opinião da economista. “O primeiro passo é mudança de atitude de forma geral. O cidadão pai de família, o cidadão empresário, o cidadão profissional, o cidadão gestor público: prefeitos, governadores e parlamentares. Mudança de atitude com mais respeito e ética. Respeitar a fronteira que existe entre legitimidade e legalidade. Tudo que é legítimo é legal, mas nem tudo que é legal é legítimo. Legal é o que a Lei faz, legítimo é o que a moral faz. O brasileiro precisa identificar esta fronteira para saber até que ponto pode ir. Será que a lei justifica determinado comportamentos que temos visto? Tanto de cidadãos quanto de governantes? Isto na minha opinião está destruindo a base, os alicerces da sociedade brasileira. E o resultado está aí; taxa de desemprego alta, índices de crescimento baixos. Os índices internacionais do Brasil em competitividade e ascensão social são os piores. O Brasil está nos últimos lugares em competitividade e eficiência e em políticas de saúde e educação. Só temos entre os brasileiros em idade para ter curso superior completo, 13,5%. Temos taxa de analfabetismo funcional equivalente a este número. Incapazes de conduzir qualquer atividade profissional. Ensino médio só 30% dos que tem idade para ter. Isto é uma falha social, um vexame social. Estamos na era da tecnologia da informação, em um país riquíssimo em espaço, em clima, em vegetação”.

A palestrante falou ainda na entrevista sobre o que é responsabilidade do setor público e do setor privado. No caso do setor público ela destaca que é garantir que haja ambiente estável e transparente para que investidores e consumidores tomem decisões e a atividade econômica progrida. “O setor público precisa para isto, controlar o orçamento público e prestar os serviços públicos com qualidade e garantir a acessibilidade, além de não se meter no ritmo da economia. Muito ajuda quem não atrapalha. O governo só precisa manter a infraestrutura para que a atividade econômica ocorra e ela vai ocorrer. A renda é a fonte de receita e com esta receita o governo pode executar as obras para deixar seu legado. O setor privado precisa entender que Governo não resolve problema do setor privado. Negócio é coisa de quem quer negociar. O investidor investe porque percebeu a possibilidade de lucro do investimento. O risco é dele”.

Para a professora a sociedade precisa eliminar o vício de sempre querer privatizar os lucros e socializar as perdas. “Quando a coisa está dando errada corre-se para o Governo pressionando e o governo sucumbe porque tem interesses políticos. Este vício está colocando o Brasil para trás. Somos a pior economia em desempenho na América Latina. É postura, comportamento e atitude que vai mudar isto”, afirmou.

Programação

Do evento faz parte a 8ª Corrida de Carrinhos de Rolimã, promovida pelo curso de Engenharia, nesta quarta-feira (15), ás 15:00 na Avenida Vergílio Favetti em frente à UNIC.

Na quinta-feira (16), haverá palestra com o consultor da Aprosoja MT Ricardo Arioli Silva com o tema “Desafios e Oportunidades do Agronegócio em Mato Grosso”.

Já na sexta-feira (17) irá palestrar o analista AgRural e Assistente Técnico na UNICAMPO Rafael Rohenkohl Silva, com o tema “Investimento de Capital”.