12/10/2017 08:06

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Rádio Pioneira com Gazeta Digital

TJ manda retirar tornozeleira de tenente

A Terceira Câmara Criminal de Cuiabá, do Tribunal de Justiça, deferiu parte do pedido de habeas corpus impetrado pela defesa da tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur de Souza Dechamps, e determinou a retirada de sua tornozeleira eletrônica. A decisão unânime foi proferida durante julgamento nesta quarta-feira (11).

Ledur foi denunciada pelo Ministério Público do Estado (MPE) pelo crime de tortura que resultou na morte do aluno Rodrigo Claro, durante o treinamento dos bombeiros em novembro de 2016. A juíza Selma Rosane Santos Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, acatou a denúncia, porém negou o pedido de prisão e determinou que ela fosse monitorada por tornozeleira eletrônica em julho.

A defesa recorreu e requereu que fosse afastado o uso da tornozeleira, concedido o retorno à função pública, bem como modificada outras medidas cautelares determinadas pela magistrada.

O relator do caso, desembargador Gilberto Giraldelli, votou pelo deferimento de apenas três itens do habeas corpus, acatado pelos desembargadores Luis Ferreira e Marcos Machado.

Foi determinada a retirada da tornozeleira eletrônica de Ledur, autorizada a sua circulação por lugares relacionados à atividade do Corpo de Bombeiros, bem como seu retorno à função pública. No entanto, neste caso, a tenente deverá realizar somente atividades administrativas, sem qualquer relação com treinamento militar.

O caso – Ledur foi acusada de causar a morte do aluno dos Bombeiros, Rodrigo Claro, durante o treinamento de atividades do curso de formação realizado na Lagoa Trevisan em Cuiabá. Conforme denúncia do Ministério Público, apesar de apresentar excelente condicionamento físico, o rapaz demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

Apesar de o problema ter chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só teriam ignorado a situação, como teriam utilizado métodos totalmente reprováveis para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.

A atitude teria sido a forma utilizada pela tenente Ledur para punir Rodrigo por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água, segundo o MP. O jovem vomitou muito, apresentou fortes dores de cabeça e, por mais de uma vez, sofreu crise convulsiva, oriundas dos inúmeros afogamentos sofridos durante a instrução.

Ele chegou a ser hospitalizado com um quadro de hemorragia cerebral que evoluiu para morte, após cirurgia e permanência em UTI. Diante do cenário, foram denunciados por tortura, além de Ledur, outros cinco militares.