12/10/2017 08:01

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Rádio Pioneira com G1/MT

Cabo PM Gerson Correa Júnior teve novo mandado de prisão decretado pela Justiça (Foto: TVCA/Reprodução)

O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), decretou nesta quarta-feira (11) a prisão preventiva do cabo da Polícia Militar Gerson Correa Junior, apontado nas investigações como o principal operador do esquema de interceptações clandestinas que teve como alvos centenas de políticos de oposição ao atual governo do estado, jornalistas, advogados e médicos em Mato Grosso.

O cabo Gerson já havia sido preso durante o andamento do Inquérito Policial Militar (IPM), no dia 23 de maio, e encontra-se detido no Centro de Custódia de Cuiabá. Agora, a prisão dele foi requerida pela delegada Ana Cristina Feldner, que conduz as investigações sobre o esquema de escutas ilegais.

Perri, que é o relator do inquérito sobre os grampos no TJMT, também determinou a realização de busca e apreensão na casa do policial, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Isso porque depoimentos do investigado José Marilson da Silva - empresário que teria desenvolvido o Sistema Sentinela, usado para grampear os telefones dos alvos do esquema - e da testemunha Henrique Siqueira indicam que Gerson estaria guardando o equipamento até hoje, o que ele nega.

"Além das afirmações de que o rack do Sistema Sentinela ficou sob sua responsabilidade, não se pode desprezar a probabilidade de que o Cb. PM Gerson Correa tenha guardado, escondido, armazenado em algum canto o HD do equipamento, onde, possivelmente, estão contidas as gravações dos diálogos interceptados", diz trecho da decisão.

Na decisão, o desembargador aponta que, apesar de ser cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa foi a razão pela qual "grampolândia pantaneira" teve sucesso no estado, sendo responsável por "operacionalizar, orientar, instruir os demais policiais que receberam o encargo de ouvir os áudios, enfim, de administrar o Sistema Sentinela".

Segundo Perri, o cabo Gerson era o "homem de confiança" e protagonista da organização criminosa, sendo o responsável pela elaboração dos falsos relatórios de inteligência, e, em liberdade, poderia tentar atrapalhar as investigações ou até mesmo dar continuidade às escutas ilegais no estado.

"Não podemos olvidar que o Cb. Gerson Corrêa é o principal operador do sistema de interceptação telefônica utilizado pelo grupo criminoso, é quem mais conhece do equipamento, e, em liberdade, poderá voltar a delinquir, máxime porque, até o presente momento, a parafernália ainda não foi apreendida, havendo mesmo alta probabilidade de estar, em algum canto, operando aa pleno vapora, por meio de longa manus, uma vez que seu acesso é remoto", afirmou o desembargador.

Busca e apreensão

Ao determinar a busca e apreensão na residência do policial, o desembargador autoriza os agentes a apreenderem documentos - como planilhas e agendas pessoais -, assim como equipamentos eletrônicos diversos (celulares, notebooks, HDs, pen drives) e todo e qualquer material utilizado para espionagem e serviço de inteligência, em especial de captação de áudio e imagens, ou utilizados para interceptações telefônicas, em especial, as placas dos sistemas Wytron e Sentinela.

"Defiro, ainda, a busca e apreensão dos equipamentos eletrônicos encontrados na residência e/ou na posse de quem esteja no local, em especial, aparelhos celulares, ficando, desde já, autorizado o acesso ao conteúdo e os dados armazenados, haja vista a possibilidade que contenha material probatório relevante", diz trecho do mandado.

Participação no esquema

Os grampos foram operados pos policiais militares por meio de um fictício Núcleo de Inteligência, numa suposta investigação sobre a participação de policiais em tráfico de drogas. Porém, a polícia pediu à Justiça a autorização para quebrar o sigilo telefônico de pessoas que não tinham nada a ver com essa apuração.

Os pedidos eram assinados pelo cabo Gerson Correa, que na época era cedido ao Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ele foi preso no dia 23 de maio, quando já estava lotado na Casa Militar, que entre as atribuições está a de fazer a segurança do governador do estado.

Segundo ressaltou o desembargador na decisão, o cabo da PM incluiu os telefones de pessoas estranhas como se fossem criminosas em uma investigação que era feita em Cáceres, a 220 km de Cuiabá, a fim de quebrar sigilos telefônicos de forma oculta, situação que veio à tona na matéria veiculada pelo Fantástico, no dia 14 de maio.

O policial também seria o responsável por incluir o telefone do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), no pedido de quebra de sigilo telefônico da Operação "Ouro de Tolo", do Gaeco, mesmo ele não sendo investigado naqueles autos.

O cabo da PM, assim como três coroneis e um tenente-coronel, foram denunciados pelo MP por participação no esquema dos grampos. Eles devem responder por ação militar ilícita, falsificação de documento, falsidade ideológica e prevaricação.