19/05/2017 14:40

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Marlenne Maria - da Redação

A campanha acontece em todo o país, organizada pelo Tribunal de Justiça. O mote é o mesmo do 18 de maio, que é o combate à exploração Sexual.

Em Tangará da Serra a Vara da Família, Infância e Adolescência, sob o comando da Magistrada Dra. Leilamar Rodrigues, efetuou o lançamento da campanha na tarde desta quinta-feira (18).“É uma campanha que acontece em todo o Brasil e todos estão trabalhando para esta divulgação. O CREAS inclusive está realizando várias palestras e nós também estamos sempre à disposição para palestrar ou falar sobre o tema, onde for necessário”, afirmou Valéria Martinazzo, Psicóloga do Fórum de Tangará da Serra.

Em entrevista ao programa O Povo no Rádio da Pioneira ela destacou que o número de casos de abuso contra crianças ainda é muito grande em Tangará da Serra. “Infelizmente ainda recebemos muitas crianças no Fórum que estão passando pelo tratamento, que já estão sendo acompanhadas pelo CREAS ou CRAS. Temos muitos processos na Vara Criminal envolvendo crianças”.

Em relação ao andamento das denúncias, segundo a Psicóloga, os resultados são bons. “Nós temos resultados muito positivos. Muitos estão sendo julgados e presos quando fica comprovado que realmente aconteceu, ou no flagrante com a prisão imediata. Então, percebemos que realmente a Justiça está sendo feita”.

Na oportunidade ela orientou que o melhor caminho para resolver questões que envolvem violência contra crianças é a denúncia às autoridades. “O canal mais importante que temos é através do Disque 100. É a forma mais fácil de fazer uma denúncia. Não é preciso se identificar. Precisamos apenas que seja dito onde está ocorrendo. Primeiro o Conselho Tutelar visita, depois passa para as equipes responsáveis para dar o encaminhamento”.

Valéria Martinazzo explicou que há denúncias falsas no canal, por isso a atenção maior dos profissionais. “Às vezes temos pais ou familiares em conflito e acabam fazendo alguma denúncia falsa para prejudicar a outra parte. Por isso temos que tomar todo o cuidado. Não é só a fala da criança. Infelizmente crianças também mentem, mas eles não conseguem manter a mentira por muito tempo. Por isso temos os psicólogos para observar, são feitos exames para ver se há indícios de abuso”.

A Psicóloga lembrou que existem vários tipos de violência. “A principal é a violência psicológica, que é onde a criança é xingada, diminuída. Ela ouve coisas que não precisaria ouvir. E temos a violência física, que deixa marcas físicas. Mas, a violência psicológica, o que foi ouvido fica durante os atos de violência. E o abuso sexual, infelizmente que temos muitos casos aqui em Tangará. Não é só quando há penetração, mas também carícias mais intensas, beijos lascivos ou qualquer carinho que ultrapasse aquele sentimento fraternal. Temos homens e mulheres que abusam e por isso temos que ficar atentos”.

No caso da violência sexual, a mudança de comportamento é visível na criança. “Mães, pais e avós que estão atentos, percebem quando a criança muda seu comportamento. E é uma mudança bastante brusca. Não que toda mudança seja causada por isso. Identificamos vários sintomas. Por isso existe uma equipe para observar. Mas, a criança que de repente tornou-se quieta ou retraída, ou tornou-se agressiva, que não quer ir à escola, ou que não quer tomar banho e chora. Pode ter sido um bulling na escola, uma briga, a briga dos pais que ela está vendo, ou o abuso sexual”.

O primeiro passo, segundo Valéria, é procurar o Conselho Tutelar, que dará todas as orientações necessárias e acompanhará as vítimas e os pais.