19/05/2017 14:06

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Rádio Pioneira com G1/MT

Pelo menos 80 pessoas tiveram os celulares monitorados clandestinamente em uma investigação da PM sobre tráfico de drogas (Foto: Reprodução/TVCA)

Uma mulher que foi vítima de um esquema de interceptações telefônicas clandestinas feitas pela Polícia Militar, denunciado pelo Fantástico no último domingo (14), já havia sido grampeada anteriormente, a pedido da Polícia Civil, durante investigação sobre um suposto plano em curso para prejudicar o governador do estado, Pedro Taques (PSDB). A apuração foi conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), na operação “Querubim”. A reportagem não conseguiu contato com a vítima.

A mulher, segundo as investigações da Polícia Civil, teve um relacionamento amoroso com o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, que é primo do governador e deixou o cargo na semana passada.

O número do celular dela aparece na lista dos telefones que foram monitorados clandestinamente por PMs entre outubro de 2014 e agosto de 2015. O esquema, que teria grampeado pelo menos 80 pessoas, foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, que disse ter tomado conhecimento do caso quando ainda era secretário de Segurança Pública, em 2015.

Zaque afirma que, na época, alertou o governador Pedro Taques (PSDB). A Procuradoria-Geral da República abriu investigação para saber se o governador tinha conhecimento do crime e de quem partiram as ordens para as interceptações. Taques nega ter conhecimento sobre as escutas telefônicas.

Operação Querubim
O inquérito foi conduzido pelo então chefe do GCCO, delegado Flávio Stringueta, entre março e julho de 2015, e foi arquivado por falta de provas. Ao final da operação, restou comprovado que o objetivo da mulher seria perturbar o casamento do ex-chefe da Casa Civil, segundo o delegado.

Paulo Taques deixou o comando da Casa Civil em MT na semana passada. (Foto: José Medeiros/ Gcom-MT)Paulo Taques deixou o comando da Casa Civil em MT na semana passada. (Foto: José Medeiros/ Gcom-MT)

Paulo Taques deixou o comando da Casa Civil em MT na semana passada. (Foto: José Medeiros/ Gcom-MT)

Segundo consta do relatório final do inquérito, a jovem teria ocupado cargos comissionados no governo e, conforme a denúncia anônima feita à polícia, estaria se articulando para, com a ajuda de supostos inimigos do governador, atentar contra Taques.

Durante a operação, as interceptações telefônicas revelaram, porém, que o alvo da mulher seria Paulo Taques, a quem ela queria causar problemas, conforme o relatório. Segundo relatou Stringueta no documento, em diversos áudios ela deixa claro a sua mágoa com o primo do governador, inclusive afirmando que queria “prejudicá-lo no que puder”.

“A interceptação das ligações telefônicas [...] nos acabou revelando que a sua intenção era não atentar contra a vida do nosso governador, mas, pelo visto, criar problemas para Paulo Taques que, segundo ela, a abandonou à própria sorte assim que assumiu o novo cargo na casa Civil, não lhe dando a importância devida como amante como ela esperava”, diz o relatório.

Ainda conforme o relatório, durante os 45 dias em que mulher foi monitorada, não ficou comprovada a existência de qualquer plano para atentar contra o governador e a suposta amante se mudou para Goiânia, onde começou a procurar emprego com políticos.

Interceptações legais
Em nota à imprensa, a Polícia Civil afirmou que a operação Querubim foi realizada com a devida autorização judicial e respeitando todos os parâmetros legais.

“Todas as pessoas interceptadas foram devidamente identificadas nas investigações, sem uso de codinomes e de qualquer artifício que induzisse a erro o Poder Judiciário e o Ministério Público Estadual. A Polícia Civil repudia toda e qualquer ação que se valha de ferramentas investigativas para atender a interesses ilegais”, diz trecho da nota.

Interceptação clandestina
O nome da mulher aparece em uma lista de números interceptados pela PM durante uma investigação conduzida pelo Núcleo de Inteligência da PM sobre policiais militares que estariam envolvidos com tráfico de drogas. Entre os números investigados, foram incluídos os telefones de políticos, jornalistas, advogados e médicos que não tinham relação com a investigação em curso.

No anexo da denúncia feita pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, o número do celular da suposta amante aparece ao menos três vezes, em monitoramentos em outubro de 2014, março e junho de 2015. Em cada uma das interceptações, ela aparece sob uma alcunha ou identificação diferente – “Tatu”, uma pessoa sem identificação investigada por tráfico ou capanga de uma fazenda – como se fosse uma dos integrantes da suposta organização investigada pela PM.

Os pedidos para inclusão dos números foram feitos à Justiça por um cabo que seria parte da Inteligência da PM e que, atualmente, está lotado na Casa Militar de Mato Grosso.