11/12/2016 07:34

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Rádio Pioneira com G1/MT

Um grupo de sem-terra acampou em uma área, às margens da MT-338, no município de Itanhangá, a 447 km de Cuiabá, neste sábado (10), e ameaça invadir as terras, que pertenciam à União e destinadas à reforma agrária. Algumas delas teriam sido vendidas e ocupadas irregularmente, o que foi alvo da Operação Terra Prometida, da Polícia Federal, em 2014. De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), 100 pessoas estão no local.

Enquanto isso, para tentar evitar novas invasão, fazendeiros, com o apoio de comerciantes locais, bloqueiam trecho da rodovia, sobre a ponte do Rio Borges.

O clima é tenso no local e a Sesp informou ter enviado mais de 50 policiais militares, de Sorriso, Lucas do Rio Verde e Tapurah, para fazer a segurança do local e evitar conflitos entre sem-terra e fazendeiros.

Foram bloqueadas as entradas de acesso às propriedades rurais. "Só estamos fazendo a averiguação para evitar que pessoas que querem invadir as terras invadam as áreas, mas não estamos impedindo os moradores da região de circularem", disse o produtor rural Claudecir Contreras, que vive na região há 20 anos.

"Sou pioneiro na região. Meu lote é registrado junto ao Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e já cumpri todas as cláusulas que me pediram, inclusive as ambientais. Somos trabalhadores, gente do bem", disse o produtor rural Claudecir Contreras.

A reportagemnão conseguiu entrar em contato com os líderes do movimento dos sem-terra até a publicação desta reportagem. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os manifestantes aguardam representantes do Incra, pois a área pertence à União.

Operação Terra Prometida
Parte das áreas do município está sub judice. A exploração de terras destinadas à reforma agrária na região de Itanhangá para monoculturas, como de soja e de milho, por grandes fazendeiros motivou a Operação Terra Prometida.

As investigações do Ministério Público Federal e Polícia Federal começaram em 2010. Durante as investigações, foram identificadas irregularidades na concessão e manutenção de lotes destinados à reforma agrária.

À época, a PF divulgou que estimava que 80 fazendeiros teriam ocupado cerca de mil lotes da União. Um deles teria obtido 55 lotes e regularizado essas áreas com o apoio de servidores do Incra.

Usavam da força física para invadir terras ou comprar a preço baixo e depois, com o auxílio de servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e de servidores das câmaras de vereadores e das prefeituras desses municípios buscavam regularizar a situação do lote.

Para a manutenção do comércio ilegal de terras da reforma agrária, a quadrilha teria usado documentos falsos, feito vistorias simuladas, fraudado termos de desistência e até mesmo inserido dados falsos no sistema de informações de Projetos de Reforma Agrária do Incra, permitindo que latifundiários, grupos de agronegócio e até empresas multinacionais ocupassem ilicitamente terras da União destinadas à reforma agrária.

Confome a PF, o esquema era operado, basicamente, por pessoas ligadas ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itanhangá e ao serviço social da prefeitura municipal daquele município, que elaboravam listas com nomes de 'laranjas' que, em nome de fazendeiros, falsificavam 'cartas de desistência' e declaração de aptidão ao Incra.

Depois disso, servidores do Incra faziam uma vistoria fictícia para comprovar a posse dos 'laranjas', que após cadastrados no sistema do órgão, eram homologados e emitidos na posse. Entretanto, quando o documento do Incra era emitido, o fazendeiro já estava ocupando e produzindo nas parcelas reconcentradas.