17/10/2016 14:10

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Rádio Pioneira com G1/MT

Estudante de 18 anos viajou para os EUA em setembro (Foto: Maria Gisllanny Bezerra Silva/ Arquivo pessoal)

A estudante Maria Gisllanny Bezerra Silva, de 18 anos, que mora de Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, realizou parte do sonho de se tornar astronauta ao conhecer uma unidade de pesquisa da Nasa (Agência Espacial Norte-americana), nos Estados Unidos entre os dias 21 e 30 de setembro. Ela disse ter sofrido preconceito por causa desse sonho, mas que busca superar todos os desafios em prol desse objetivo.

Maria concluiu o ensino médio no ano passado e tem dividido a atenção entre projetos de divulgação científica e um curso de inglês. No próximo ano, ela pretende cursar física na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e aliar isso com as palestras sobre astronomia em escolas públicas em várias cidades do estado.

Ela é natural de Serra Talhada (PE), mas mudou-se com a família para Mato Grosso quando ainda era bebê. O interesse dela pela ciência e pela astronomia, em especial, começou desde muito cedo.

A jovem, junto com a sua professora de matemática Silvana Stoinski, estão entre as responsáveis em Mato Grosso pela 'Missão X'. O projeto, de autoria da Nasa, estimula os jovens ao redor do mundo a seguirem uma vida saudável lembrando a importância de se ter uma boa alimentação e praticar esportes.

A breve caminhada da jovem teve alguns percalços e momentos difíceis. Ela relatou que sua jornada foi marcada pelo bullying e pela violência, que em alguns casos ultrapassou a verbalidade.

“Uma vez eu fui arrastada pelos cabelos no ensino fundamental. Em um período da minha vida, eu sofri muito. Foi bem difícil. Felizmente, consegui passar por cima de tudo isso, principalmente porque apareceram pessoas para me ajudar e porque coloquei meu sonho à frente de tudo”, lembrou.

As agressões tinham ela como alvo devido o entusiasmo em participar de eventos científicos e propor ideias assim aos professores. Maria contou, inclusive, que alguns professores já chegaram a zombar de suas vontades.

“Eu já pensei em desistir dos projetos educacionais por causa dessas coisas. Mas minha vontade de seguir com meus sonhos me deu forças para entender que eu não podia deixar nada me abalar. A gente não pode jogar nossos sonhos fora por causa dos outros”, argumentou.

Viagem aos EUA

A viagem para a Nasa veio depois de muita luta, segundo Maria. Ela venceu um concurso internacional de redação que é realizado pela Nasa, mas por falta de adesão do Brasil ao prêmio, chamado de 'Dia como Cientista na Nasa', a estudante não pode viajar por esse método.

Após receber ajuda de pessoas como o astronauta Marcos César Pontes, que ela conheceu em um evento em Cuiabá no ano passado, e do pesquisador e professor de física da Universidade Estadual do Norte Fluminense Marcelo de Oliveira Souza, ela conseguiu uma carta convite para realizar uma viagem para a agência espacial. Faltava, porém, o dinheiro da viagem, que acabou sendo custeada de maneira integral pelo governo do estado.

Nos Estados Unidos, além da visita a uma unidade de pesquisa da Nasa em Houston, ela realizou um tour por diversos museus e teve contato com diversas pessoas da área. A professora Silvana a acompanhou nesse roteiro de oito dias.

“Conheci naves, foguetes a aviões antigos. Conversei com astronautas e cientistas espaciais. Jantei na casa do coordenador do Projeto X, o pesquisador Charles Lloyd. Fiz um curso de radioastronomia e aprendi a operar radiotelescópios. Ainda não caiu a ficha de tudo isso que fiz, na verdade”, relatou.

Entre os momentos mais marcantes estão o contato com um ônibus espacial e com os astronautas, que responderam vários dos seus questionamentos sobre a vida como um profissional que estuda o espaço.

A experiência deverá lhe servir para continuar com os projetos de divulgação científica.

Paixão pela astronomia

A jovem afirmou que a paixão astronomia é inexplicável. Nenhum familiar, amigo ou conhecido dela atua na área. Ela relatou, porém, que seus olhos brilharam de maneira diferente quando ela viu um meteoro no céu.

“Quando tinha uns 7 anos já pesquisava a respeito. Eu não tinha muito acesso aos livros sobre o tema e nem à internet e então me virava do jeito que dava. Eu saía da escola, ia para casa almoçar e depois voltava para a escola para copiar no caderno algumas informações de umas poucas enciclopédias que tinham no laboratório”, contou.

Ela atua divulgando conhecimento científico desde 2012 e ministra palestras por escolas de Tangará da Serra tentando estimular a curiosidade pela ciência entre os alunos. Ela dedica parte das palestras para incentivar os jovens, geralmente de escolas públicas, a sonharem alto e lutarem pelos seus objetivos.

“Eu sempre falo que eles precisam acreditar em si mesmo, confiar na sua capacidade, persistir e estudar muito. Eu falo que muitas pessoas irão duvidar deles e que muitos obstáculos irão surgir, mas que a gente precisa sempre acreditar e que nosso objetivo precisa se transformar em filosofia de vida”, defendeu.

Maria revelou que o seu último e mais difícil desejo, como ela própria considera, é se tornar astronauta. Com o apoio dos pais e, principalmente, de sua professora, ela diz que deve prosseguir com esse objetivo enquanto tiver apoiadores e saúde para isso.

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Tangaraense que quer ser astronauta conhece a Nasa: 'Um sonho'Tangaraense que quer ser astronauta conhece a Nasa: 'Um sonho'Tangaraense que quer ser astronauta conhece a Nasa: 'Um sonho'Tangaraense que quer ser astronauta conhece a Nasa: 'Um sonho'Tangaraense que quer ser astronauta conhece a Nasa: 'Um sonho'