07/01/2015 08:38

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Da Redação

Por Joel Mesquita*


No dia primeiro de janeiro de 2015, assisti perplexo ao discurso de posse da senhora Presidenta da República Dilma Rousseff. Minha perplexidade se dá em virtude das contradições presentes na fala de nossa “chefa” maior, que seguindo o diapasão de sempre foi destoada da dura realidade que o país vivencia.


Em tempos em que a economia caminha para um futuro incerto, faltou humildade à nossa presidenta e acima de tudo coragem para falar a verdade, principalmente quando era necessário colocar o dedo na própria ferida e assumir perante a nação os equívocos de seu primeiro mandato, visto que como a ela mesma salientou a palavra de ordem para o momento chama-se “mudança”.


Em sua pregação Dilma disse que a prioridade de seu novo governo será a educação, e fazendo “jus” a promessa, escolheu para Ministro da Educação o entendido no assunto, Cid Gomes, ex-governador do Ceará, que como é sabido de todos tem “vasta experiência nesta seara”. O ministro é autor da polêmica frase: “professor tem que trabalhar por paixão e não por dinheiro”.
Em tom irônico, a presidenta afirmou: “Em todos os anos do meu primeiro mandato, a inflação permaneceu abaixo do teto da meta e assim vai continuar”. Ou seja, provavelmente a presidenta não deve ter feito compras no Brasil nos últimos quatro anos, visto que até pessoas não versadas em economia, já perceberam que no que diz respeito a esta matéria a coisa degringolou há muito.


Outro momento de grande contradição foi quando ela disse: “É inadiável, também, implantarmos práticas políticas mais modernas, éticas e, por isso, mesmo mais saudáveis. É isso que torna urgente e necessária a reforma política”. Nesse ponto a presidenta esqueceu-se que os ministérios de seu governo foram loteados e divididos como se fossem feudos com os partidos da base aliada, seguindo assim a cartilha da velha política, deixando de lado os critérios das regras das sociedades republicanas.


Adiante falou em manutenção de Direitos Trabalhistas, porém esquecera-se do que será feito pelo seu governo na prática, onde está previsto alguns cortes de benefícios que outrora eram reservados para garantir, em momentos difíceis da vida do trabalhador, um amparo social.


Devaneou sobre impunidade e afirmou que nunca foi conivente com o malfeito. Por fim, propôs mais um pacto, este contra a corrupção e disse que encaminhará pacote de medidas a serem apreciadas pelo Congresso Nacional, visando combater a corrupção em todas as esferas do poder público. Defendeu a Petrobras e a conduta de seus funcionários e ignorou o fato da empresa está envolta a escândalos que levaram a Operação "Lava Jato", deflagrada pela Policia Federal.


Como boa petista a presidenta falou de um Brasil que se parece muito com países de primeiro mundo, falou de uma realidade social que só existe no imaginário petista, ou seja, agiu como política habilidosa que é. Compreendo que não é função da Presidenta Dilma mostrar ou reconhecer os malfeitos de seu próprio governo. In tese, a oposição é quem deveria fazê-lo, porém não o faz com maestria, visto que infelizmente não tem envergadura moral para assim proceder, restando ao povo brasileiro ficar refém da demagogia e do discurso falacioso e distante de nossa triste realidade social.


* JOEL MESQUITA é sociólogo e policial civil.